O Menestrel Esquecido

Amigos, o título desta coluna pode ser um tanto curioso quanto emblemático, e despertar isso foi um trabalho intencional. Começando por usar a figura do menestrel no objetivo de fazer referência a um personagem que revelarei mais a frente, seguido do fato de classificá-lo como alguém que anda esquecido pelo público.

O menestrel era um cantor, compositor e proclamador de poesias na Idade Média e fazia isso como forma entretenimento para o rei. Quando porventura, sem ou com motivos não mais agradava a família real, era despedido e às vezes preso ou até mesmo morto.

Hoje em pleno século XXI, vejo diversos artistas de qualidade incomensurável sendo assassinados não mais por chefes de monarquias, mas pelo esquecimento. Até porque, a morte em si não é capaz o suficiente de matar um artista, enquanto que o esquecimento sim, este primeiro prende, depois tortura e por último o leva a óbito.

Jair Amorim, o homem por mim intitulado de o Menestrel Esquecido é o centro deste texto. Capixaba de Santa Leopoldina, esteve por trás de grandes clássicos da seresta brasileira. Sucessos que certamente você já ouviu na voz de outros cantores, mas que nem imaginava que são de autoria dele. Inclusive, vale citar que a maior parte das músicas gravadas por Altemar Dutra foram compostas por Amorim.

O primeiro grande passo na carreira de compositor aconteceu no ano de 1952, quando escreveu a canção “Alguém Como Tu” e o cantor Dick Farney gravou perfeitamente em sua voz de timbre grave aveludado (uma ótima opção para sua playlist). Em 1956, compôs a música “Conceição”, principal peça do repertório de Cauby Peixoto. Uma das mais conhecidas, “Sentimental Demais”, composta em 1965, tornou-se um marco na voz potente e tocante de Altemar Dutra.

Angela Maria, Jair Rodrigues, Gal Costa, Agnaldo Rayol, Jane e Herondy, Wilson Simonal e Carlos Galhardo foram outros grandes artistas que lançaram músicas de Jair Amorim. No entanto, em praticamente todas estas gravações o capixaba não levou nenhum crédito. É um fato triste. Porque quem já conhece ou tiver a curiosidade de escutar as músicas dele, verá que são verdadeiras poesias cantadas.

Chegando ao fim, vocês podem estar se perguntando se Jair Amorim ainda é vivo. Infelizmente a matéria física dele concluiu sua jornada no ano de 1993. No entanto, seu legado é denso o suficiente para e consagrá-lo na história da cultura musical brasileira. Enquanto houver um só romântico seresteiro respirando vida, ele haverá de ser eterno.

Jair Amorim era grande. Jair Amorim sempre será grande!

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