O Câncer e seus efeitos no psicológico de pacientes

…A dor é um elemento a ser considerado ao se fazer diagnóstico psiquiátrico, e é sempre recomendável que a dor seja removida antes de firmar este tipo de diagnóstico. Alguns pacientes podem apresentar quadro de depressão em função dos próprios tratamentos quimioterápicos ou com corticosteróides. Pacientes com câncer que apresentam depressões freqüentes têm maior possibilidade de terem tido episódios depressivos na juventude. Outro ponto destacado pelo autor quanto à instalação da depressão ou seu agravamento é a fragilidade de uma rede social de apoio, já que pessoas com estrutura psíquica frágil, em geral têm dificuldade em estabelecer uma rede de apoio significativa.

A informação ao paciente de que ele é portador de câncer, já o conscientiza de sua finitude. O diagnóstico de câncer é frequentemente acompanhado de depressão, traduzida pelo fato de o paciente não conseguir manter uma atitude de aceitação interior. Como não consegue negar a doença, vê-se obrigado a reconhecer que tem um câncer, deprimindo-se no início da doença, ou durante o tratamento. As implicações e incertezas deste diagnóstico intensificam as reações emocionais; o choque ou descrença ante a descoberta do tumor estão associados a sintomas de ansiedade, tristeza e irritabilidade, segundo Chochinov (2001).

Kübler-Ross (1994) em sua obra Sobre a Morte e o Morrer aponta cinco estágios pelos quais passa o doente desde o diagnóstico até a morte: 1) Negação e isolamento: como “não pode ser comigo”; “não tenho nada”; 2) Raiva: quando a negação não é mais possível surgem sentimentos de raiva e revolta: “por que eu?”, essa raiva pode estar relacionada à impotência e à falta de controle da própria vida; 3) Barganha: estratégia do paciente tentando certo acordo para adiar um desfecho inadiável; 4) Depressão: momento do contato efetivo com a doença e as suas perdas do corpo, das finanças, da família, do emprego, do lazer. Inibir o processo de enlutamento não parece ser a conduta mais adequada; o procedimento recomendado seria facilitar a expressão desses sentimentos por parte do paciente; e, 5) Aceitação: os pacientes que viveram a sua doença e receberam apoio nos estágios anteriores podem chegar a uma aceitação.

Em geral, ao ser informado do diagnóstico médico, o primeiro mecanismo de defesa utilizado pelo paciente é a negação. Inicialmente a negação funciona como um escudo protetor, mas se persistir por longo período, ela pode enfraquecer o relacionamento e impedir o paciente de assumir uma atitude mais responsável. Sabe-se que sentir medo é uma reação costumeira do indivíduo à ameaça externa de dor e destruição, com as quais não está preparado para lidar. “Esmagado pela estimulação excessiva que não consegue controlar, o ego é inundado pela ansiedade” (Hall, Lindzey, & Campbell, 2000, p. 60). Neste sentido, os autores informam que quando a ansiedade é mobilizada, a pessoa tende a reações comportamentais de fuga da região ameaçadora, ou de inibição do impulso perigoso, ou obediência à voz da consciência.

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